Há uma grande questão acompanhando educadores e pesquisadores nas áreas da psicologia do desenvolvimento e da psicologia da educação: Piaget ou Vygotsky?
Segundo Kohl, (2005), está longe de haver consenso em relação a essa questão, muitos pesquisadores tendem a observar mais similaridades do que oposições entre as duas propostas.
Piaget preocupou-se com o estudo sobre o conhecimento ao longo do processo de desenvolvimento, o sujeito que conhece.
Na teoria de Piaget, o progresso da evolução do conhecimento é explicado a partir de características biológicas, transmissões sociais e conhecimentos que a criança retira de suas experiências com os objetos físicos e sociais. Isoladamente, esses três aspectos são insuficientes para tal explicação. Há uma coordenação entre eles para que exista um quarto fator chamado de Fator de Equilibração, que explica de que modo os demais aspectos intervêm de maneira diferente, dependendo do período de desenvolvimento da inteligência.
Transmissões sociais interferem no desenvolvimento da inteligência, porém não são recebidas passivamente, nem assimiladas de uma vez só. As informações são gradativamente organizadas à medida que são incorporadas. Tal organização cognitiva se modifica segundo o fator de equilibração, que também pode explicar a compreensão das transmissões sociais pela criança.
O desenvolvimento psicológico é um processo histórico, caracterizado por construções e reconstruções. Sempre que acontece a ultrapassagem dos limites das aquisições, provocadas por sucessivas conquistas, dão a esse desenvolvimento um caráter sequencial e integrativo.
Entende-se por sequencial porque se pode distinguir, nos vários momentos evolutivos, certas características específicas, que se manifestam tanto nos arranjos feitos pela criança com objetos diversos, como na justificativa que elas fornecem. Cada conjunto dessas características indica uma etapa do desenvolvimento que é a extensão das anteriores. Essa sequência invariável é a que Piaget divide em quatro grandes períodos: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e hipotético dedutivo. Tais períodos não são fixos em termos cronológicos.
Já o caráter integrativo é devido ao fato de cada período reconstruir, no seu próprio plano, as construções do período anterior, integrando-as como conteúdo necessário à elaboração de novas formas de conhecimento, ao mesmo tempo que abre possibilidades para o aparecimento do próximo.
Portanto, o caráter sequencial e integrativo do desenvolvimento mostra que toda nova aquisição prepara o caminho para os progressos subsequentes. A inteligência é uma atividade organizadora, pois diz respeito à construção progressiva de relações, a partir das quais os objetos podem adquirir significações.
Conforme Davis (2205), Vygotsky, por sua vez, tinha duas preocupações: o projeto de construir uma nova psicologia e o de construir uma nova sociedade. É bom situar que Vygotsky é, portanto, marcado pela orientação predominante da ex-União Soviética na pós-revolução e tinha, como fonte teórica, para suas elaborações, o materialismo histórico e dialético de Marx e Engels.
Vygotsky defendia a idéia de que as funções psicológicas têm um suporte biológico. O cérebro não é um sistema de funções fixas e imutáveis, mas um sistema aberto em constante transformação. Essa idéia relaciona-se ao pensamento marxista de que a sociedade humana é uma totalidade em constante tranformação. Como explica Kohl (2005)
Para Vygotsky, o fundamento do funcionamento psicológico tipicamente humano é
cultural e portanto, histórico. Os elementos mediadores na relação entre o homem
e o mundo – instrumentos, signos e todos os elementos do ambiente humano
carregados de significado cultural – são construídos nas relações entre os
homens (Kohl,2005, p. 9).
Na visão de Vygotsky, o desenvolvimento não se dá a partir da maturação e sim da apropriação daquilo que é social. As funções psicológicas são apropriadas de um psiquismo historicamente acumulado através das relações sociais entre os homens. Portanto, a aprendizagem é entendida como algo que é apropriado e internalizado nas relações sociais estabelecidas.
Para que possa ocorrer a apropriação e internalização da aprendizagem, os instrumentos e as pautas de interação não podem estar muito distantes do nível de desenvolvimento real. Estamos diante da concepção de Vygotsky sobre a relação desenvolvimento e aprendizagem explicitada no conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal.
Como a reflexão de Vygotsky é pautada principalmente no funcionamento do ser humano, a aprendizagem está diretamente ligada ao desenvolvimento das funções psicológicas, culturalmente organizadas e especificamente humanas. Parte do desenvolvimento humano é definido pelos processos de maturação do organismo de cada um, individualmente; característica própria à espécie humana. É justamente a aprendizagem que faz despertar processos internos de desenvolvimento que não aconteceriam sem o contato do indivíduo com ambiente cultural.
Referências:
DAVIS, C. Piaget ou Vygotsky: uma falsa questão. São Paulo. Viver Mente e Cérebro – Coleção Memória da Pedagogia nº. 2, p. 38-49, 2005.
Para que possa ocorrer a apropriação e internalização da aprendizagem, os instrumentos e as pautas de interação não podem estar muito distantes do nível de desenvolvimento real. Estamos diante da concepção de Vygotsky sobre a relação desenvolvimento e aprendizagem explicitada no conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal.
Como a reflexão de Vygotsky é pautada principalmente no funcionamento do ser humano, a aprendizagem está diretamente ligada ao desenvolvimento das funções psicológicas, culturalmente organizadas e especificamente humanas. Parte do desenvolvimento humano é definido pelos processos de maturação do organismo de cada um, individualmente; característica própria à espécie humana. É justamente a aprendizagem que faz despertar processos internos de desenvolvimento que não aconteceriam sem o contato do indivíduo com ambiente cultural.
Referências:
DAVIS, C. Piaget ou Vygotsky: uma falsa questão. São Paulo. Viver Mente e Cérebro – Coleção Memória da Pedagogia nº. 2, p. 38-49, 2005.
KOHL, M. História, Ciência e Educação. São Paulo. Viver Mente e Cérebro – Coleção Memória da Pedagogia nº. 2, p. 6-13, 2005.
Um comentário:
Claudia, seu trabalho cresceu muito, adorei este último Post: você estabeleceu fez boas leituras dos dois autores e é possível acompanhar seu pensamento. Parabéns!
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