Pensando a produção de textos como uma resolução de problema, Flower e Hayes investigaram o sujeito que escreve e as várias decisões que esse sujeito deve tomar para produzir o texto que pretende escrever.
Indicam que “... os escritores estão constantemente... orquestrando um conjunto de processos cognitivos, integrando planejamento, memória, escrita, revisão.” (Fortunato, 2009). Tal citação faz constatar o quanto é complexo a constituição de um texto escrito, tanto para adultos e principalmente para crianças.
Os autores da pesquisa falam de três elementos que constituem o processo de escrita: o contexto de produção, que “... inclui não só a situação retórica e a audiência, mas os objetivos pessoais do escritor ao escrever.” (Fortunato, 2009); a memória a longo prazo do escritor, que leva em consideração tanto a bagagem de conhecimento que o escritor tem sobre o assunto a ser escrito como a maneira que representará a escrita do texto e os processos de escrita, que inclui particularmente o planejamento, a tradução e a revisão do que se pretende escrever. Esses três elementos acontecem ao mesmo tempo e são administrados pelo escritor.
Pensei em meus alunos de dez anos diante do desafio de escrever um texto. Será que eles têm condições repertoriais para gerar idéias, organizá-las, adequá-las aos objetivos que pretendem atingir, colocar essas idéias em linguagem visível e por fim revisar o texto?
A resposta é sim quando os ajudo a construir esse repertório.
Concordo com os pesquisadores quando dizem que “as crianças,... possuem habilidades necessárias para gerar idéias, mas lhes falta uma espécie de monitor que lhes diga para ‘continuar usando’ aquela habilidade e gerar um pouco mais.” (Fortunato, 2009).
Quando vejo meus alunos escrevendo noto sim que falta uma direção, como uma necessidade a mais de modelo e orientação. Normalmente eles se perdem justamente na organização das idéias por escrito. É muito difícil para eles entenderem que a escrita se difere da fala, que tem outra organização e que para tanto precisa ser revista, relida para saber se o que desejavam contar está ali representado.
Noto que meus pequenos escritores se empenham em escrever, e escrevem. Mas não se preocupam em reler o que escrevem e quando questionados quanto à clareza de sua idéia expressa no papel ou quando convidados a reler sua produção, em voz alta, percebem que há algo a ser melhorado na sua escrita.
Para que os alunos revisem o texto que escrevem espontaneamente, devo propor situações de produção de textos envolventes. Sabendo que seu texto será lido, valorizado, mesmo que seja em situações de aprendizagem, terá uma relação de maior cumplicidade no ato de escrever.
Fica claro, portanto, que os procedimentos de escrita são conteúdos de ensino construídos num processo longo e contínuo, tanto para o professor quanto para os alunos.
Referência:
Indicam que “... os escritores estão constantemente... orquestrando um conjunto de processos cognitivos, integrando planejamento, memória, escrita, revisão.” (Fortunato, 2009). Tal citação faz constatar o quanto é complexo a constituição de um texto escrito, tanto para adultos e principalmente para crianças.
Os autores da pesquisa falam de três elementos que constituem o processo de escrita: o contexto de produção, que “... inclui não só a situação retórica e a audiência, mas os objetivos pessoais do escritor ao escrever.” (Fortunato, 2009); a memória a longo prazo do escritor, que leva em consideração tanto a bagagem de conhecimento que o escritor tem sobre o assunto a ser escrito como a maneira que representará a escrita do texto e os processos de escrita, que inclui particularmente o planejamento, a tradução e a revisão do que se pretende escrever. Esses três elementos acontecem ao mesmo tempo e são administrados pelo escritor.
Pensei em meus alunos de dez anos diante do desafio de escrever um texto. Será que eles têm condições repertoriais para gerar idéias, organizá-las, adequá-las aos objetivos que pretendem atingir, colocar essas idéias em linguagem visível e por fim revisar o texto?
A resposta é sim quando os ajudo a construir esse repertório.
Concordo com os pesquisadores quando dizem que “as crianças,... possuem habilidades necessárias para gerar idéias, mas lhes falta uma espécie de monitor que lhes diga para ‘continuar usando’ aquela habilidade e gerar um pouco mais.” (Fortunato, 2009).
Quando vejo meus alunos escrevendo noto sim que falta uma direção, como uma necessidade a mais de modelo e orientação. Normalmente eles se perdem justamente na organização das idéias por escrito. É muito difícil para eles entenderem que a escrita se difere da fala, que tem outra organização e que para tanto precisa ser revista, relida para saber se o que desejavam contar está ali representado.
Noto que meus pequenos escritores se empenham em escrever, e escrevem. Mas não se preocupam em reler o que escrevem e quando questionados quanto à clareza de sua idéia expressa no papel ou quando convidados a reler sua produção, em voz alta, percebem que há algo a ser melhorado na sua escrita.
Para que os alunos revisem o texto que escrevem espontaneamente, devo propor situações de produção de textos envolventes. Sabendo que seu texto será lido, valorizado, mesmo que seja em situações de aprendizagem, terá uma relação de maior cumplicidade no ato de escrever.
Fica claro, portanto, que os procedimentos de escrita são conteúdos de ensino construídos num processo longo e contínuo, tanto para o professor quanto para os alunos.
Referência:
FORTUNATO, Márcia. Descrição do processo cognitivo na produção do texto. In: ________. Autoria e aprendizagem da escrita. 2009. fls. 108-129. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
Um comentário:
Cláudia, achei ótimo esse recorte! Interessante analisar a prática de ensino de língua a partir dessa concepção do processo de escrita, não?
Acho que essa conexão ajuda tanto a reflexão teórica como a leitura dos problemas que identificamos na aprendizagem da escrita pelas crianças.
Beijo, Márcia.
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