O que é um autor? - Michel Foucault
O nome do autor não é, pois exatamente um nome próprio como os outros. [...] o nome do autor funciona para caracterizar um certo modo de ser do discurso [...] (FOUCAULT, 2006, p. 273)
O nome do autor não está localizado no estado civil dos homens, não está localizado na ficção da obra, mas na ruptura que instaura um certo grupo de discursos e seu modo singular de ser. Conseqüentemente, poder-se-ia dizer que há, em uma civilização como a nossa, um certo número de discursos que são providos da função “autor”, enquanto outros são dela desprovidos. (FOUCAULT, 2006, p. 274)
Foucault apresenta o autor como algo que não se pode definir e nem tampouco referir-se como um nome próprio comum, a algo que se nomeia simplesmente. Este autor não é proprietário nem responsável por seus textos; não é produtor nem inventor deles.
A questão principal é que o autor promove e faz surgir um modo especial do discurso, algo que aparece a partir de um contexto dentro de uma cultura.
A função “autor” é responsável pela “...característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de certos discursos no interior de uma sociedade.” (Foucault, 2006, p. 274).
O que faz de alguém um autor é o fato de, através de seu nome, ser reconhecido nos textos que escreve. Pareceu-me que o foco não é reduzir o autor como atribuição de função, mas questionar onde está e como se dá a existência da autoria.
Autor, também pode ser aquele que Foucault chama de “Instaurador de discursividade”. Trata-se de autores que, além de sua obra, proporcionam uma possibilidade indefinida de discursos. A partir desses autores abrem-se caminhos de formação de outros textos, e mesmo ausentes, estão presentes, pois sua voz ressoa nesses novos textos.
“...acredito que se poderia encontrar aí uma introdução à análise histórica dos discursos. Talvez seja o momento de estudar os discursos não mais apenas em seu valor expressivo ou suas transformações formais, mas nas modalidades de sua existência; os modos de circulação, de valorização, de atribuição, de apropriação dos discursos variam de acordo com cada cultura e se modificam no interior de cada uma; a maneira com que eles se articulam nas relações sociais se decifra de modo, parece-me, mais direto no jogo da função autor e em suas modificações do que nos temas ou nos conceitos que eles operam” (Foucault, 2006, p.286).
ReferênciaFOUCAULT, Michel. O que é um autor? In:Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
O nome do autor não é, pois exatamente um nome próprio como os outros. [...] o nome do autor funciona para caracterizar um certo modo de ser do discurso [...] (FOUCAULT, 2006, p. 273)
O nome do autor não está localizado no estado civil dos homens, não está localizado na ficção da obra, mas na ruptura que instaura um certo grupo de discursos e seu modo singular de ser. Conseqüentemente, poder-se-ia dizer que há, em uma civilização como a nossa, um certo número de discursos que são providos da função “autor”, enquanto outros são dela desprovidos. (FOUCAULT, 2006, p. 274)
Foucault apresenta o autor como algo que não se pode definir e nem tampouco referir-se como um nome próprio comum, a algo que se nomeia simplesmente. Este autor não é proprietário nem responsável por seus textos; não é produtor nem inventor deles.
A questão principal é que o autor promove e faz surgir um modo especial do discurso, algo que aparece a partir de um contexto dentro de uma cultura.
A função “autor” é responsável pela “...característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de certos discursos no interior de uma sociedade.” (Foucault, 2006, p. 274).
O que faz de alguém um autor é o fato de, através de seu nome, ser reconhecido nos textos que escreve. Pareceu-me que o foco não é reduzir o autor como atribuição de função, mas questionar onde está e como se dá a existência da autoria.
Autor, também pode ser aquele que Foucault chama de “Instaurador de discursividade”. Trata-se de autores que, além de sua obra, proporcionam uma possibilidade indefinida de discursos. A partir desses autores abrem-se caminhos de formação de outros textos, e mesmo ausentes, estão presentes, pois sua voz ressoa nesses novos textos.
“...acredito que se poderia encontrar aí uma introdução à análise histórica dos discursos. Talvez seja o momento de estudar os discursos não mais apenas em seu valor expressivo ou suas transformações formais, mas nas modalidades de sua existência; os modos de circulação, de valorização, de atribuição, de apropriação dos discursos variam de acordo com cada cultura e se modificam no interior de cada uma; a maneira com que eles se articulam nas relações sociais se decifra de modo, parece-me, mais direto no jogo da função autor e em suas modificações do que nos temas ou nos conceitos que eles operam” (Foucault, 2006, p.286).
ReferênciaFOUCAULT, Michel. O que é um autor? In:Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
Um comentário:
Oi, Cláudia, muito bom ler seu comentário! Acho que é sempre preciso lembrar que Foucault não nega o autor proprietário, aquele que escreve o texto, apenas não é dele de que trata. Veja que na página 267, no penúltimo parágrafo, ele diz que não fará a "análise histórico-sociológica do personagem do autor." Acho que esse lembretezinho cai bem ao seu primeiro parágrafo. O que você acha?
Ótima a última citação que você fez. Ela explicita o projeto que Foucault tinha em mente desenvolver.
Beijo, Márcia.
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